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LEITURA DIÁRIA

 

A liberdade é autodeterminação em conformidade com as circunstâncias. Não existe liberdade absoluta. A liberdade não é oposta a necessidade. Como indivíduos somos seres históricos, determinados no interior das praticas sociais. Somos partes de uma totalidade que age livremente e subjuga necessariamente. O todo tem poderes absolutos sobre nossa ação.  As forças econômicas, políticas, sociais que nos subjugam tornam toda liberdade individual relativa. As forças históricas agem segundo seus próprios princípios, segundo suas próprias regras e necessidades. Desse ponto de vista, a liberdade é fazer alguma coisa em conformidade com a lei do todo. A nossa vida e experiência social não são conduzidos pelo acaso. As nossas vitórias ou fracassos na existência dependem de forças que não podemos dominar e não temos controle. A vida particular de cada indivíduo está ligada as estruturas sociais que a subjugam. As nossas ações, desejos e necessidades não são independentes da ordem do todo.

      Na Idade Média prevaleciam as relações de vassalagem e suserania. Não existia mobilidade social, nascer vassalo significava morrer vassalo.   A igreja como detentora do poder político e cultural determinava os valores, normas e regras do convívio social. Fugir as suas normas significaria ser condenado à morte. Ainda hoje na Índia os sistemas de castas estabelecem a hierarquia social marcada por privilégios e deveres.  Seguir as normas das castas é imprescindível para se viver na comunidade. Aqueles que não fazem parte de nenhuma casta são chamados párias ou intocáveis, são excluídos do convívio social e são incumbidos de fazer os serviços mais sujos e deploráveis.  Atualmente, no mundo globalizado, o movimento das grandes fortunas pelo mundo pode levar uma nação inteira ao desemprego, a fome e a miséria. Os indivíduos raramente têm consciência sobre a ligação entre suas vidas e o curso da história mundial. Nossa vida inexoravelmente é determinada pelas vicissitudes históricas e pelas estruturas sociais que pertencemos. Assim como uma mosca não pode fugir à força dos ventos, também não podemos fugir as forças sociais, culturais e econômicas que nos dominam.

           Sartre afirma que o homem é inteiramente responsável por sua liberdade.  Segundo ele, se Deus não existe e se não existe uma natureza humana pronta e acabada, cabe ao homem construir-se a si mesmo. O homem é inteiramente livre para fazer de sua vida aquilo que quer, uma vez que sua “existência preceda a essência”. Contudo,  nossa liberdade  depende de circunstâncias históricas e sociais.  O ser humano vive em sociedade e é determinado pelas forças políticas, econômicas e pela sua posição social na grande ordem do todo.  O que Sartre ignorou é a tese sociológica que afirma que nossas escolhas não são inteiramente livres. Os valores, preceitos, regras de conduta e formas de comportamento de nossa cultura determinam nossas escolhas e modos de pensar. As instituições e valores da sociedade sempre prevalecem sobre os indivíduos, formando uma consciência coletiva que, de certo modo, moldam nossas ações, desejos e necessidades.

        Se a reflexão acima é correta, grande parte dos dramas e sofrimentos humanos decorre da incapacidade dos indivíduos construírem sua própria experiência social, conferindo sentido à vida e à sua trajetória. Eles não são capazes de compreender as forças históricas que o subjugam. Possuem dificuldade de encontrar sentido e significados em suas existências. São incapazes de construir com sentido e coerência uma narrativa linear para suas vidas. Desse modo, o sofrimento social surge porque os indivíduos não são livres para construir um projeto de vida autêntica, não possuem a liberdade para deliberar a vontade com absoluta autonomia. O mal-estar na civilização surge dessa falta de liberdade. A vida particular e a experiência social dos homens são influenciadas pelas relações econômicas onipresentes. Qualquer projeto de vida é determinado pela lógica do capital. Os indivíduos determinado por sua origem, classe, grupo e ocupação social são obrigados a participarem e se locomoverem num mercado concorrencial. Sua existência, seu status está ligado a sua capacidade e poder de influenciar os outros a partir de sua posição social. As relações entre os homens são determinadas em termos de rivalidade, de concorrência e de disputas de interesses individuais e de classe. Além disso, a labuta do dia-a-dia, a busca desenfreada pelo dinheiro, o consumo compulsivo, a busca do reconhecimento simbólico, os divertimentos alienados impedem os indivíduos de terem plena consciência sobre suas vidas. Eles são incapazes de autodeterminação, são incapazes de construir um projeto autêntico de vida.

         O quadro mais nítido dessa falta de liberdade é a vida do homem suburbano, que se levanta todos os dias para trabalhar na mesma hora, toma o mesmo ônibus, almoça com os colegas de trabalho no mesmo restaurante, volta para casa no mesmo  ônibus. Tem um ou dois filhos, passa algumas horas em frente da internet ou da televisão. Tem algum hobby como gostar de carros ou assistir jogos de futebol. Aos domingos vai a igreja ou sai com a família para comer pizza. Nas férias passa duas semanas na praia. Leva uma vida vazia, rotineira e mecânica ano após ano. Depois de muitos anos de rotina tem um colapso do coração e morre por causa de frustração, hostilidade ou tensões internas que não pode descarregar e recalcou durante anos. Esse quadro gera um grande vazio existencial que impede as pessoas de fazerem algo de eficaz a respeito da própria vida e do mundo em que vivem. Segundo o psicólogo existencial americano Rollo May, “o vácuo interior é o resultado acumulado, a longo prazo, da convicção pessoal de  ser incapaz de agir como uma entidade, dirigir a própria vida, modificar a atitude das pessoas em relação a si mesma, ou exercer influência sobre o mundo que nos rodeia. Surge assim a profunda sensação de desespero e futilidade que a tantos aflige  hoje em dia. E, uma vez que o que a pessoa sente e deseja não tem verdadeira importância, ela em breve renuncia a sentir e a querer. A apatia e a falta de emoções são defesas contra a ansiedade”. (MAY, 1987, p.22)

       No mundo capitalista a racionalidade do todo se impõe a cada indivíduo em particular, impedindo os de realizarem sua plena liberdade. A vida torna-se um eterno retorno do mesmo. O pensador existencialista Albert Camus em sua obra, “O Mito de Sísifo”, nos força a pensarmos em nossas rotinas diárias e nas razões de nossos atos. Ele nos força a pensar o absurdo que é a existência humana. Que a vida não tem um sentido ou uma finalidade. Ele compara o absurdo da vida ao mito de Sísifo, condenado a empurrar uma pedra repetidamente até o topo de uma montanha. Toda vez que chegava ao topo com a pedra, esta rolava novamente montanha abaixo.  Ele tinha que repetir eternamente o trabalho num esforço absurdo e sem sentido. O mito de Sísifo retrata bem a condição existencial do homem contemporâneo nas sociedades capitalistas. Ele está preso a uma vida mecânica, rotineira e sem sentido, repetindo todos os dias os mesmos atos e tarefas.

        A liberdade no mundo contemporâneo só pode ser pensada a partir de nossa facticidade, ou seja, pelas determinações e condicionamentos históricos, sociais e psicológicos,  que estamos submetidos. Somos seres situados em uma determinada sociedade, em um certo grupo social, pertencemos a uma classe e a uma família,  temos certas características psicológicas, temos certos valores e modos de pensar.  A maior parte dessas determinações não foi escolhida por nós, são exteriores e não temos controle sobre elas. Nesse sentido a nossa liberdade é situada. O que nos resta é a capacidade de transcender essas determinações. A dimensão da liberdade está em dar um sentido a nossa vida com a plena consciência de que somos seres situados.

         Nos livros de Herman Hesse a liberdade e a busca de si mesmo são temas recorrentes. No livro Demiam, o personagem principal demonstra essa necessidade de liberdade e busca de si mesmo. “Queria apenas tentar viver aquilo que brotava espontaneamente de mim. Por que isso me era tão difícil?”.  O livro mostra como as forças religiosas e morais da sociedade impedem e dificultam o encontro do homem consigo mesmo,  e que é necessário um grande esforço para se libertar desse mundo de coerções. O livro retrata a infância de Emil Sinclair em uma família extremante moral e religiosa. Sua vida era “clara, bela, limpa e ordenada”. Ele apesar de gostar desse mundo luminoso sente uma carência, uma falta de algo que não conseguia compreender. Foi quando conheceu Franz Kromer , valentão da escola, que o chantageia. A partir dessa amizade ele entra em contato com um novo mundo, um mundo atraente, enigmático, terrível. Um mundo de homens embriagados, de prisões, de mulheres atraentes e escandalosas, de matadouros e de policiais que perseguiam ladrões. Em sua inocência Sinclair se admirava que em sua casa houvesse paz, ordem, repouso, deveres cumpridos e consciência limpa, mas que além de seu quintal,  houvesse um outro mundo mais violento, cruel, sombrio e  verdadeiro.  É somente quando se envolve com Franz Kromer  que ele começa a refletir sobre esses dois mundos. Ele se identifica com aquele mundo violento e sombrio. É nesse momento que começa sua jornada por autoconhecimento e busca de si mesmo. Como ele próprio afirma “quem quiser nascer tem que destruir um mundo”. Foi esse mundo de limpeza, de ordem, de aconchego  que Sinclair buscou destruir para encontrar a si mesmo.  O livro de Hesse mostra-nos que a liberdade se afirma como uma necessidade interior, como busca de um sentido interno, de um destino, como busca de si mesmo. A liberdade está em seguir nossa própria natureza.  “A vida de todo ser humano é um caminho em direção a si mesmo, a tentativa de um caminho, o seguir de um simples rastro. Homem nenhum chegou a ser completamente ele mesmo; mas todos aspiram a sê-lo, obscuramente alguns, outros mais claramente, cada qual como pode. Todos levam consigo, até o fim, viscosidade e cascas de ovo de um mundo primitivo. Há os que não chegam jamais a ser homens, e continuam sendo rãs, esquilos ou formigas. Outros que são homens da cintura para cima e peixes da cintura para baixo. Mas, cada um deles é um impulso em direção ao ser” (HESSE, 1925, p.20).

Bibliografia

HESSE, H. Demian. Rio de Janeiro: Record, 1925

MAY, H.  O homem  a procura de si mesmo.  Rio de Janeiro: Petrópolis, 1987

SARTRE. J. L’Existentialisme est un humanisme. Paris: Gallimard. Col. Folio. 1996

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